#M15 • 07/04/2026
MARKETING EM 15 MINUTOS
Um review analítico semanal dos principais estudos, relatórios, notícias e artigos acadêmicos de marketing.
Um estudo global criou alarde: apenas 35% dos profissionais dominam o básico do marketing. O problema não é o dado, é o sensacionalismo. Trago uma crítica ao final desta edição. Ainda assim, o estudo funciona como um bom mapeamento dos principais conceitos atuais e reforça a importância de treinamento nas equipes.
O segundo achado da semana é mais interessante: uma análise profunda sobre a confiança nas marcas no Brasil: quando ela acontece e por que acontece.
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RELATÓRIOS.
Só 35% dos profissionais de marketing dominam fundamentos básicos, segundo Ipsos
A empresa de pesquisa em colaboração com o consultor Mark Ritson, aplicou um “provão” com 1.226 profissionais de marketing de países de língua inglesa.

Os 10 conceitos medidos: níveis de acertos e erros.
Numa prova simples aplicada pela Ipsos, apenas 35% dos profissionais acertaram mais de 7 dos 10 conceitos considerados fundamentais no estudo.
O dado não aponta uma falta de “base”, mas sim de atualização. A maioria dos erros se concentra em terminologias mais recentes do marketing, especialmente ligados à efetividade de mídia.
A pesquisa também reforça a importância dos treinamentos formais — tanto na confiança dos profissionais quanto nos resultados dos times. Profissionais que passaram por esse tipo de capacitação apresentam:
🔷 +17pp na capacidade de defender orçamento;
🔷 +13pp na influência do marketing no negócio;
🔷 +23pp em progressão de carreira;
🔷 +21pp na entrega de resultados concretos.
O estudo também pode ter indicado que falta treinamento dentro das empresas. A maioria do aprendizado acontece na prática do trabalho (59,5%), em cursos externos (55%) e self-service (54%). Dentro das empresas, menos da metade tem acesso:
🔷 Só 48% têm acesso a treinamento interno;
🔷 Só 48% participam de conferências;
🔷 Só 34% recebem treinamento de agências e parceiros;
🔷 Só 29% têm suporte de consultorias.
#︎ Leia a “colinha” no final desta edição, para saber mais sobre os 10 conceitos considerados como fundamentais.
IPSOS. Marketing Anchors: The case for capability in an era of transformation. 2026. Disponível em: https://resources.ipsos.com/Marketing-Anchors.html. Acesso em: 3 abr. 2026.
Comunicação responde por 18% da confiança nas marcas no Brasil
A HSR, em parceria com o Mundo do Marketing, analisou a confiança nas marcas no Brasil com base em 4.520 consumidores. O estudo ajuda a separar dois momentos distintos: como a confiança começa e como ela se sustenta.
Neste ano, já vimos um estudo que mostrou: campanhas que constroem confiança geram 41% mais resultado comercial. Agora, este novo estudo da HSR ajuda a entender o mecanismo por trás disso.
O primeiro achado relevante: a comunicação importa principalmente antes do consumidor virar cliente. Durante esta fase, a alta exposição de marca tem ~2,75x mais impacto na confiança.
E na maioria dos casos, os “não clientes” confiam mais na marca do que os “clientes”. E se considerarmos que confiança está diretamente ligada à recomendação: seria mais provável que um não cliente, bem exposto à marca, esteja mais predisposto a indicá-la do que um cliente. O resultado reforça o efeito de priming, a comunicação cria uma predisposição.
Mas há um limite claro: a confiança muda de driver depois da compra.
Quando o consumidor passa a usar a marca, a lógica se inverte. A composição varia de segmento para segmento, mas, na média, a confiança passa a ser construída por:
45% Execução — como a marca entrega o que promete;
37% Relevância — como se mantém útil no dia a dia;
18% Comunicação — como a marca se comunica;
Na prática, isso reorganiza o papel da comunicação. Ela é decisiva para gerar entrada e predisposição, mas perde protagonismo rapidamente após a compra. A partir desse ponto, o que sustenta a confiança é a capacidade da marca de cumprir o que prometeu e se manter relevante no dia a dia.
#︎ Foque a sua comunicação Above the Line para não clientes, mas tenha uma gestão integrada entre produto, operação e marketing para garantir que as promessas sejam cumpridas.
HSR; MUNDO DO MARKETING. Construindo confiança: o que faz o consumidor confiar em uma marca – e o que acontece quando ele confia. Apresentação. In: CMO SUMMIT, 2026, São Paulo. São Paulo: CMO Summit, 2026.
NOTÍCIAS.
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CHARGE.

OPINIÃO.
Uma “colinha” no vestibular do Ritson. Precisamos criar um novo nome para tudo?
Pelo tom desta edição, você já deve ter percebido: eu fico irritado toda vez que surge uma manchete dizendo que as lideranças de marketing estão defasadas. Quando, na prática, deveríamos reforçar o oposto: empresas com marketing no board (ainda minoria) performam melhor.
Por isso, resolvi montar essa “colinha” para ajudar a gabaritar — e, na verdade, questionar — esse “provão” da Ipsos e do Mark Ritson. Veja os 10 conceitos que foram considerados fundamentais explicados e comentados. E ao final, uma análise de por que eu não concordo com a manchete sensacionalista.
Pesquisa de mercado
Aqui, o básico: diferença entre quali e quanti. Um pouco diferente, apareceu o conceito de conjoint analysis — um tipo de pesquisa em que pedimos pros consumidores escolherem entre combinações hipotéticas pra entender o que realmente pesa na decisão.
STP — Segmentação, Targeting e Posicionamento
Concordo que este é um dos elementos centrais da estratégia: escolher o público, a oferta e o diferencial que você vai focar pra crescer. Conceito consolidado pelo Philip Kotler nas décadas de 60–70.
4Ps
Preço, Praça, Produto e Promoção. Um lembrete essencial que marketing não é só comunicação. Criado por E. Jerome McCarthy nos anos 60.
Posicionamento
Conceito consolidado pelo meu falecido chefe, Al Ries, nas décadas de 70–80. A lógica é simples: as pessoas querem comprar uma categoria (“quero uma cerveja leve”) e vão lembrar de poucas marcas. O trabalho do marketing é estar nessas poucas marcas lembradas da categoria.
DBA — Distinctive Brand Assets
É o “novo” nome que a turma do Byron Sharp deu para os “ativos de marca”. São os elementos que o público reconhece como distintos, tipo o mascote do Duolingo ou formato da garrafa de Coca.
Penetração
Indicador clássico: quantas pessoas já compraram sua marca. Ganhou nova tração recentemente com a turma Byron Sharp — apelidado pelo próprio Mark Ritson de “dark lord of penetration” — ao mostrar que crescimento vem da disponibilidade (mental e física), ou seja, mais presença.
Omnichannel
Integração real entre canais para gerar mais resultado do que atuações isoladas. Não é estar em todos — é fazer tudo funcionar junto. Ganha relevância com a transformação digital a partir dos anos 2010.
Above the Line (ATL) e Below the Line (BTL)
ATL: comunicação de massa. BTL: comunicação segmentada.
O conceito ganha nova relevância com CRM e automação.
ESOV — Excess Share of Voice
Indicador clássico: quanto sua presença de mídia excede seu market share. Reforçado por Les Binet recentemente, crescer exige investir acima do tamanho atual. A cada +10 pontos percentuais de ESOV acima do market share, a marca tende a ganhar, em média, +0,5 ponto percentual de participação de mercado
Neutralidade de mídia
Decidir investimentos com base em dados, não em opinião. Ganha força com a evolução do MMM (Marketing Mix Modeling) e diversos novos dados, principalmente da WARC sobre efetividade de mídia no Reino Unido.
Por que eu não concordo com a manchete. Ou, precisamos dar um novo nome para tudo?
Eu gostei da seleção dos conceitos fundamentais: alguns clássicos da estratégia com a nova parte de efetividade de mídia que tem ganhado destaque. Mas precisamos lembrar que o estudo foi coordenado pelo Mark Ritson: um vendedor de cursos de marketing — talvez o mais famoso do mundo, mas ainda um vendedor de cursos.
Quando olhamos para o gráfico de erros e acertos, vemos que a maior parte dos erros está menos nos fundamentos e mais em nomenclaturas criadas por grupos específicos.
Talvez você não sabia que os elementos de marca, agora são chamados “Distinctive Brand Assets”, ou que alguém resolveu chamar uma abordagem data-driven de “Neutralidade de Mídia”, ou talvez não conheça uma “conjoint Analysis”, porque simplesmente chama de “pesquisa de mercado”.
Talvez você não conheça o termo, mas conheça a prática. O estudo não mostra que líderes de marketing não dominam os fundamentos. Mostra que existe uma disputa de linguagem dentro do marketing, onde novas nomenclaturas, muitas vezes proprietárias, passam a ser tratadas como sinal de inteligência.
A pergunta que fica é: será que essa nossa mania de criar novas nomenclaturas para parecer mais inteligente não está saindo pela culatra?
Se manter atualizado é importante. Falar a linguagem corporativa “da moda” também. Mas sou contra difamar publicamente, à toa, a capacidade dos líderes de marketing.
SUA VEZ.
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