DOSSIÊ #M15 • PARTE 2 DE 4
Modelagem de Marketing
55% dos profissionais de marketing brasileiros dizem que seu principal desafio hoje é provar resultados, 89% tem dificuldades com métricas. Nossa aposta é clara: nos próximos anos todo mundo vai medir resultado por modelagem.
Ao longo deste mês, convidamos alguns dos principais especialistas do tema para trazer conceitos e ferramentas relevantes.

Para colaborar nesta edição, eu convidei a Guta Tolmasquim, apelidada carinhosamente pelo mercado de “rainha do Branding”. Investigamos por que é tão difícil medir branding?
Mito 1: “Branding é longo prazo”
Essa é uma frase que ouvimos diariamente e às vezes, mais de uma vez por dia. E o pior: ela nem é verdade. Um estudo da Nielsen¹ mostrou que aumentar em 1% o investimento em marca (topo e meio de funil) eleva as vendas em 0,4% no curto prazo e 0,6% no longo prazo.
A pesquisa desmonta o mal-entendido de que branding só gera efeito no longo prazo. Mas, sinceramente, quem dera bastasse mostrar esse número e o assunto estivesse encerrado. Toda semana surgem novas evidências de que construção de marca impacta o resultado de curto prazo. Só neste mês, tivemos duas notícias:
Análise no META, mostrando que ações de topo de funil gerararam 45% mais resultado;
Nova análise do IPA, indicando que campanhas que geram confiança tem 41% mais resultados comerciais;
E, ainda assim, branding continua sendo tratado como “investimento de longo prazo”.
Mas, de onde surgiu esse mito?
A era dos cliques…e seu fim.
O problema está na forma como nos acostumamos a medir resultado. Desde que as plataformas digitais passaram a oferecer analytics embarcado, a atribuição direta virou o padrão. Só que essa lógica captura apenas interações rastreáveis, como cliques e tráfego. TV, rádio, OOH, social orgânico e influenciadores e tantos outros investimentos e variaveis não entram nessa dinâmica.
Quando a empresa mede apenas por dashboards de atribuição, costuma capturar menos de 10% do impacto real do investimento².
O restante está acontecendo, só não está sendo registrado.
E você sabe o desfecho: o que não aparece no KPI perde prioridade.
E então ouvimos a frase: “serviu para branding”.
Como se fosse prêmio de consolação e não como aquilo que deveria ser a prioridade.
Mito 2: “Não dá pra medir branding”
Esse mito também é comum. E quando ouvimos isto, não estamos falando em medir a percepção dos consumidores, mas em conectar os investimentos de marca aos resultados do negócio.
Geralmente, costumamos “medir branding” no nível do Consumidor (brand awareness, brand lift, percepção de marca). Mas o board decide com base em métricas Contábeis, para definir onde investir e quanto investir.
Pesquisas de percepção ajudam na estratégia, mas não ajudam o CMO a decidir o mix de investimentos. Não respondem, por exemplo, qual foi a contribuição do patrocínio do Big Brother nas vendas.
Se não basta medir cliques, e não basta fazer pesquisas de percepção, como então mostrar o resultado de construção de marca? Lideranças de marketing no mundo todo estão retomando, ou adicionando, o Marketing Mix Modeling (MMM) ao seu stack de mensuração.
Mas o que significa, na prática, “modelar marketing”?
Modelar é usar estatística para entender como diferentes variáveis se relacionam ao longo do tempo. Em vez de acompanhar interações individuais de cada consumidor, a modelagem observa o sistema completo: investimentos por canal, contexto de mercado e resultados de negócio.
E então, utiliza modelos matemáticos para entender como as variáveis se conectam. Mas além de provar resultados, a pode ser usada para simular cenários futuros:
Se eu aumentar X% em determinado canal, qual a incrementalidade esperada em vendas?
Qual parte do crescimento veio de marca e qual veio de performance?
Branding associado aos resultados do negócio. Como eu começo com a modelagem?
Para iniciar, você precisa organizar duas bases históricas.
De um lado, tudo o que pode influenciar o negócio: investimento por canal, alcance, frequência, influenciadores, mídia paga, preço, distribuição — até quilômetros rodados de veículos adesivados, como no case da Buser.
Do outro lado, os resultados de negócio: receita, novos clientes, ticket médio, volume, margem, etc
Com essas séries organizadas você pode aplicar uma fórmula de correlação para começar a explorar estes dados. Estruturar essa base já é o primeiro passo na transição de atribuição para modelagem.
Mas a modelagem vai muito além disso. Ela incorpora, por exemplo:
Adstock (efeito acumulado ao longo do tempo)
Carry-over (impacto que permanece após o fim do investimento)
Halo effect (interação entre canais)
Por essa complexidade é muito difícil de fazer MMM “na mão”. Cada sistema e empresa estrutura seu próprio modelo, tentando encontrar a melhor representação da realidade. A plataforma de MMM da Guta, por exemplo, começou com essa pergunta “como medir branding”:
“A gente aprofundou muito até chegar num modelo que reflete de verdade a estratégia de investimento das marcas, incorporando branding e todos os impactos que antecedem as conversões.”
FERRAMENTA #M15
Calculadora de Correlação
Comece a explorar as correlações entre variaveis na sua base histórica. Essa ferramenta é apenas para uso didático
SUA VEZ.
O que achou da edição de hoje?
Gostou do conteúdo? Envie pelo WhatsApp para seus amigos do Marketing clicando aqui. Eles vão adorar.
Viu alguma informação que precisa ser corrigida? Notificar errata.
Quer ser uma marca parceira #M15? Veja o Media Kit
Tem alguma ideia de melhoria para o #M15? Envie aqui.


