DOSSIÊ #M15PARTE 1 DE 4
Modelagem de Marketing

55% dos profissionais de marketing brasileiros dizem que seu principal desafio hoje é provar resultados; 89% dizem ter dificuldades de trabalhar com métricas. Nossa aposta é clara: nos próximos anos todo mundo vai medir resultado por modelagem.

Ao longo deste mês, convidamos alguns dos principais especialistas do tema para trazer conceitos e ferramentas relevantes.

Para colaborar nesta edição, eu convidei o Gustavo Esteves. Investigamos a pergunta: “Quais métricas devemos medir para provar resultado de marketing?” No final, criamos um framework próprio do #M15 que você pode aplicar com seu time.

A mentira: medir tudo não é gerenciar melhor

Existe uma frase carimbada no mundo data-driven: “o que não é medido, não é gerenciado.” Ela justificou uma obsessão por controle: “devemos medir tudo”.

O problema é que essa frase provavelmente nasceu como um alerta, não como um conselho. Em 1956, Ridgway, um pesquisador da gestão científica escreveu:

“Aquilo que é medido passa a ser gerenciado — mesmo quando não faz sentido medir, e mesmo quando isso prejudica o propósito da organização.”

O aviso era claro: escolher o que medir é uma decisão estratégica.
Escolher o que não acompanhar, também.

No livro “Menos achismo, mais dados” do Gustavo ele também diz que “Medir tudo é um ato preguiçoso”

Mas então, o que devemos medir no marketing?

15 métricas mais usadas para medir resultados de marketing em artigos acadêmicos.

A maioria das outras áreas do negócio operam com métricas consolidadas. No financeiro, os demonstrativos de resultado (DRE) são essencialmente os mesmos em qualquer empresa. Em vendas, também. No marketing, não.

Na recém lançada pesquisa, “Panorama Digital Analytics”, coordenada pelo Gustavo, vemos que há um gargalo grande nesta área: 57% das empresas não tem responsável alocado para métricas de marketing, e 21,5% não confiam nas métricas que medem.

A cada época, o mercado se apega a uma métrica como se ela fosse a grande solução.
Antes eram leads. Agora é ROI. Amanhã pode ser Tobin’s Q — que hoje aparece discretamente no radar acadêmico e que a maioria dos profissionais de marketing nem ouviu falar.

Essas “modas” não são inúteis. Pelo contrário: elas fazem a área amadurecer. A cada ciclo, as empresas ampliam seu repertório, aprendem benchmarks, refinam métodos. Talvez, daqui a dez anos (ou menos), exista um conjunto mais consolidado de métricas de marketing. Hoje, não há consenso — nem dentro da mesma empresa.

É comum o marketing achar que uma ação deu certo, e o CEO não.

O conflito: CEOs, CFOs vs CMOs

O financeiro tende a avaliar o desempenho a partir de métricas finais, como vendas e lucro. Já o marketing precisa combinar esses indicadores com métricas intermediárias — como percepção, consideração e comportamento — para entender o caminho que leva aos resultados.

Você provavelmente já ouviu que “o marketing precisa falar a língua do dinheiro”.
Isso é, em grande parte, síndrome de vira-lata. De maneira geral, o marketing já fala a língua do dinheiro: das 15 métricas acima, 8 já são métricas contábeis.

Quem não fala está atrasado, ou ainda está em cargos mais operacionais.
E veja este trecho do #M15 no ano passado:

Uma nova pesquisa dos EUA e Canadá ¹, mostra um contraste interessante dessa relação: apenas 22% dos profissionais de marketing dizem ter tudo o que precisam para comprovar o valor da área. Ainda assim, a relação com o financeiro é surpreendentemente positiva, mais de 70% afirmam que os CFOs confiam no marketing, colaboram nas decisões e até defendem perante o board quando entendem o racional por trás das iniciativas.

Esse fenômeno não é novo. Um estudo acadêmico de 1997 (Kokkinaki), já mostrava que os CFOs estão mais satisfeitos com a forma como as empresas mensuram marketing do que os CMOs. Mas por quê?

Porque os CMOs sabem que o número isolado não diz nada:
medir marketing apenas por métricas financeiras é simplista demais.

Vamos brincar por um momento com a métrica mais desejada de todas: receita. À primeira vista, ela parece incontestável. Mas como provar que essa receita não aconteceria de qualquer forma? Ou que não acontecerá daqui a 90 dias, ou em um ano?

Marketing não opera com a mesma linearidade de áreas como vendas ou produção.
Não existe uma relação única de causa e efeito. Seus impactos são distribuídos no tempo, interdependentes e frequentemente indiretos.

Então, qual é a solução?

Cadeias causais: como o marketing realmente gera resultado

O marketing não falha em gerar resultado, ele falha em explicar como o resultado acontece. O erro está em procurar uma métrica final que resolva tudo. Marketing não funciona assim.

O marketing não produz um efeito único e direto sobre o caixa. Ele atua como um sistema de forças, no qual uma ação gera um efeito intermediário, que altera percepção, que altera comportamento, que desloca posição competitiva, que então se manifesta nos números financeiros.

Por isso, medir apenas o número final não é mensurar marketing.
É apenas constatar que algo aconteceu, sem entender por quê.

A solução então é escolher um conjunto de métricas, de efeitos-resultado e efeitos-intermediários, que dão um panorama completo do que está acontecendo.

Um exemplo disso é o próprio Youtube. Como medir a incrementalidade de anúncios e conteúdos na plataforma? Em um estudo ², uma empresa britânica de performance conseguiu comprovar que o Youtube foi responsável um aumento de 85% nos KPIs de novos clientes em comparação com os KPIs de clientes recorrentes.

O Framework “Marketing Metrics Agreement”

Em vez de buscar a métrica perfeita, propomos organizar a mensuração como uma cadeia de efeitos, na qual diferentes grupos de métricas respondem a perguntas estratégicas distintas mas sequênciais.

Esse conceito não nasce do zero. Ele se apoia em leituras acadêmicas que buscaram classificar as métricas de marketing segundo o tipo de resultado que capturam. Em especial, nos trabalhos de Kokkinaki e Katsikeas. O framework existe para organizar a mensuração de forma gerencial.

1.Custo
(Eficiência)
A ação está sendo executada de forma eficiente?
Essas métricas indicam viabilidade e escalabilidade operacional.
Ex.: CPM, CPL, CTR, CPA.

2.Cobertura
(Disponibilidade física e mental)
Estamos realmente presentes onde e quando o mercado decide?
Essas métricas mostram alcance, presença e acesso — no ponto de venda ou na mente do consumidor.
Ex.: alcance, frequência, distribuição numérica, distribuição ponderada, share of voice.

3.Consumidor (Atitude e comportamento)
A ação está mudando algo nas pessoas?
Ex.: percepção, preferência, retenção, satisfação, uso.

4.Contabilidade
Os efeitos acumulados estão chegando aos números do negócio?
Ex.: receita, lucro, margem, crescimento.

5.Competitividade
Esse movimento nos fortalece estruturalmente frente aos concorrentes?
Ex.: market share, share of growth, penetração relativa.

E claro, que para que este framework funcione, precisa existir um consenso entre os diferentes níveis e área dentro da empresa. Por isso, nossa sugestão é que a composição de métricas seja definida em conjunto, antes da etapa de definição de objetivos e indicadores de performance.

FERRAMENTA #M15
Marketing Metrics Agreement
Uma sessão executiva para alinhar a arquitetura de métricas de marketing.

SUA VEZ.

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