|
EDIÇÃO #81 • 14/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom dia, Dropper!
Desde que Bill Gates declarou em 1996 que na internet Conteúdo é Rei, muita coisa mudou! Blogs > Ebooks > White Papers > Webinars > Social > Vídeos > Short-form > Lives > Creators > Conversation. E agora, qual o futuro da produção de conteúdos para marcas?
Na seção Campanhas que eu gostaria de ter criado: enquanto mais e mais marcas começam a usar inteligência artificial nos departamentos de marketing, o The Economist foi na direção oposta e criou o AI: Authentic Intelligence uma campanha cheia de provocações convidando os leitores a Think outside the box bot ou seja, não aceitem respostas geradas por IA sem exercer o pensamento crítico.
No MarketingDrops de hoje…
•︎ 1/4 dos posts já é totalmente feito por IA;
• Entenda o Hype: O reality que tirou a Gen Z de casa;
• YouTube permite creators lançarem séries;
• Anti-SEO: será que essa moda pega?
• + Notícias curtas da semana

PARCEIRO EM DESTAQUE:

Como as empresas estão estruturando suas áreas de PR?
A MOTIM está conduzindo a terceira edição de Pesquisa Nacional Sobre o Impacto de Relações Públicas no Mercado de Inovação para ajudar profissionais e empresas a tomarem decisões mais embasadas sobre comunicação e marca.
Participe da pesquisa e contribua para fortalecer o mercado. Como agradecimento, você estará entre os primeiros a receber o relatório completo com os resultados.

MÍDIA E TECNOLOGIA
Robôs e humanos jogam War pelas redes
1 em cada 4 posts longos já é feito inteiramente por robôs

Imagem: editorial TheDrops
Todo mundo já viu post no LinkedIn que só precisa do pão e da farofa porque a linguiça já está pronta. Mas agora a automatização dos posts ganha o tempero da estatística: um estudo analisou +1 milhão de posts na web e descobriu que ¼ dos textos com +250 caracteres é totalmente escrito por IA!
O LinkedIn, sozinho, responde por quase dois terços de todo o slop detectado: 4 em cada 10 posts são totalmente IA. Um aumento significativo da presença verborrágica robótica:
2025 tinha 35% → 2026 já tem 65%
Quanto mais artificiais ficam as redes sociais, mais as plataformas deixam a neutralidade para se posicionar. Cada uma com sua escolha:
Reddit escolheu a caça aos bots: passou a usar IA para caçar IA e está bloqueando 23 milhões de visualizações de spam por dia.
TikTok escolheu deixar rolar: não penaliza, mas foi a primeira plataforma a rotular IA automaticamente pelos metadados C2PA.
Instagram escolheu a opção: o chefe Adam Mosseri disse que se você não gosta de IA, não deveria ver IA, mas por enquanto continuará vendo.
LinkedIn escolheu o fogo amigo: a VP global, Laura Lorenzetti,declarou guerra ao slop - a ironia é que as pessoas (e ferramentas) dizem que o próprio comunicado foi gerado por IA.
A taxa de rejeição por conteúdo de IA ainda não é maioria. Segundo nossa pesquisa LinkedIn e o risco de virar Linguiça-In, só 1/3 dos usuários rejeitam este tipo de conteúdo.
As plataformas também não estão penalizando. E os avós ainda não estão identificando. Por enquanto, ainda é viável floodar a internet com conteúdo gerado por IA.


ENTENDA O HYPE
O REALITY QUE TIROU A GEN Z DE CASA
Um reality show com um bando de solteiros infurnados em uma mansão competindo para formar um casal? Nada de novo sob o sol.
Esse mesmo reality show saindo das telinhas e levando multidões para as ruas com direito a telões, festas e torcida organizada? Aí é a façanha que só o Love Island USA conseguiu criar.
Formato: mesma fórmula do Big Brother.
Duração: : 2 meses, 1 episódio por dia.
Interação: App de votação diária.
Divulgação: Creators postando 20 posts/dia.
Distribuição: Watch Parties em casas, bares e até cinema.
Pagação: US$32 bi já foram apostados nos mercados preditivos.
As primeiras versões das watch parties foram digitiais, nas comunidades do Orkut e nos fóruns do Twitter, com uma galera comentando sobre a mesma série, ao mesmo tempo, na mesma timeline.
Mas quanto mais online se tornam nossos hábitos, mais essas mesmas comunidades buscam se encontrarem no offline. A pândemia foi quem deu infraestrutura para o hábito, com o surgimento do Teleparty (ex-Netflix Party), Scener e Kast - sincronizando a reprodução e adicionando chat coletivo por cima.
Zoom out: o Teleparty já soma +20 milhões de usuários e sua extensão para Chrome ultrapassa 10 milhões de instalações.

TECNOLOGIA, MÍDIA E CONSUMO
Branded Series: programas de TV YouTube
O YouTube acaba de dar às marcas a ferramenta que faltava para virar TV: transformar playlists em "programas" com temporadas e episódios.

Imagem: the Drops
Não importa quantas telas inteligentes adicionamos nas nossas vidas - smartphones, smartwatches, smartglasses - a da TV continua ocupando parte relevante dessa equação. Sabendo disso, o YouTube está deixando mais fácil as marcas terem seus próprios canais de TV e agora permite transformar playlists em shows com temporadas e episódios!
Como usar: o recurso funciona dentro do YouTube Studio. Basta abrir uma playlist existente e converter para “show” que os vídeos viram temporadas e episódios numerados. O resultado é uma página igual à de uma série de streaming, sincronizado entre TV, celular e desktop - por enquanto, disponível apenas para canais monetizados (YouTube Partner Program).
No Brasil, as pessoas veem mais YouTube pela TV do que pelo celular, com 80 milhões de espectadores conectados nas telonas em Abril deste ano e o YT ocupando o lugar de streaming mais visto do país, com 56%.
A novidade vem da funcionalidade, mas a prática já estava validada:
MasterChef Creators o primeiro do mundo, patrocínio master da LATAM com 7,8 milhões de views na 1ª temporada)
Shark Tank Creators com Cielo, Volkswagen e InfinitePay bancando.
Cabelo Pantene, da P&G, um mini reality de quatro episódios produzido pela Endemol (a mesma produtora do MasterChef, Big Brother, etc) que chgou a 36 milhões de views e um pico de 900% nas buscas pela marca.
Zoom out: o YouTube é uma das redes sociais mais acessadas pelos brasileiros e pouco aproveitado pelas marcas - e minisséries parecem ser tendência. Quem começar primeiro, tem mais risco, mas precisa de menos investimento.

GIRO DE NOTÍCIAS
→ Google abriu o Search Console para creators: agora dá pra ver quais termos de busca levam gente até seus posts, e o melhor: nem precisa ter site próprio.
→ Google Ads começa a indicar anúncios feitos por IA.
→ Meta estendeu o selo de "feito com IA" dos posts orgânicos para os anúncios do Facebook e Instagram.
→ Meta removeu a função que gerava imagens a partir de qualquer conta pública do Instagram @-mencionada.
→ Apple apostou nos vídeo podcasts, mas o app caiu de 8% para 5% de share.
→ Meta deu métricas novas para seus chatbots: número de conversas, resolução, intenção de compra.
→ Dentsu fechou com a Meta pra plugar o Creator Marketplace no seu sistema via API, criando um marketplace próprio para agências do grupo.
→ Google Ads abriu um tipo de campanha dedicado a atrações, passeios e venda de ingressos.

TECNOLOGIA
Anti-SEO
O Google que se cuide, marcas já começam a sair da busca com apoio da Cloudflare

Por três décadas, a web viveu de um acordo de cavalheiros: você rastreia meu conteúdo, eu ganho tráfego. A IA quebrou a dinâmica, pois responde tudo direto na tela, e o clique nunca chega. A reação virou contraintuitiva: em vez de otimizar para o Google, sumir dele. Faltava só o botão, que a Cloudflare acabou de criar.
A partir de 15/09/2026, a Cloudflare (que gerencia um 1/5 do tráfego da internet) vai bloquear por padrão crawlers "multiuso" em páginas com anúncio. E criar um botão de “sair do Google” (na verdade, bloquear todos os crawlers multi-uso) estará disponível para todos os usuários.
O problema das marcas não é ser encontrado no Google, é ter que dar seu conteúdo para uma IA que pode nem te linkar em troca - 69% das buscas não geram mais cliques, segundo a SimilarWeb. E hoje a única maneira de aparecer é dando entrada para os bots de Google, Apple e Bing que fazem tudo ao mesmo tempo.
Os primeiros loucos visionários, já estão pensando em não aparecer nas buscas.
A People Inc., publisher nos Estados Unidos com 40 publicações e 175 milhões de leitores, opera oficialmente sob a doutrina "Google Zero" - tocar o negócio como se o tráfego da busca não existisse.
A USA Today, publisher norte-americana com 200 jornais locais, diz estar pronta para abandonar a indexação em 6 a 12 meses.
Por enquanto, só editoras estão considerando esta estratégia. Mas a outra metade do plano se aplica a todas as marcas: ter comunidades fechadas dispostas a consumir seu conteúdo exclusivo. As marcas que passaram trinta anos implorando por visitas, agora querem ver quem tem convite.

DROP LIKE IT'S HOT
[para vestir] A Havaiana feita de “piso de cacos” viralizou, sem querer.
[para ouvir] Podcast completo em que o Adam Mosseri fala sobre IA no Instagram

CHARGE

Baseado num print real que vi pela web, mas não achei mais…